sexta-feira, outubro 06, 2006

Faith II - A busca

Ainda tentando recuperar as forças da recente batalha, Ian Knight pensava uma maneira de chegar a clareira da Floresta Negra antes de Faith e seu captor, Michael MacCullogh, infelizmente eles tinham mais de meio dia de vantagem e a jornada para o local levava no mínimo três dias, o homem conhecimo anteriormente como Demônio Branco amaldiçoava-se por acreditar que seus crimes passados seriam perdoados tão facilmente, culpava-se ainda mais por ter envolvido sua doce Faith na tempestade de ódio e sangue que fora a sua vida.

Enquanto cobria as diversas feridas com bandagens, o rapaz chegou a conclusão que tudo que lhe restava era uma solução inteligente, porém cruel e perigosa demais à alguém cujo o corpo estava tão ferido quanto o seu, mas o amor que senti por sua esposa, misturado ao ódio por aquele fantasma de seu passado que retornara o moviam, sem pensar muito decidira que partiria em direção ao local do encontro mas não usaria as longas estrada e sim atravessaria a distância em linha reta passando por dentro das propriedades alheis, sem para para comer ou dormir, com isso chegaria em dois dias ou dois e meio, o que lhe daria um fator surpresa a seu lado e incorreria menor risco a vida da sua amada.

Montado no cavalo que pertecia ao inimigo que acabara de extinguir, Knight partiu carregando apenas sua espada, para sua sorte a montaria que tomou para si era um garanhão extremamente forte e veloz, que respondia a seus comando de forma espantosa como se sempre tivesse ele como seu dono, talvez fosse a forma do animal demonstrar gratidão pelo alívio do grande peso que lhe foi aliviado, inclusive o peso da sela que era enorme. Como dois demônios enfurecidos montaria e cavaleiro avançavam pelos sítios e fazendas, a velocidade e fúria com que se moviam causavam grandes estouros nos rebanhos, correria entre as pessoas, cercas eram ultrapassadas ou destruídas, um pobre pastor tentou deter aquele verdadeiro furacão, o coitado foi pousar dezenas de metros adiante sem que ambos refreassem seu ritmo.

Mesmo a escuridão que a noite trouxe se mostrou irrelevante para que ambos diminuissem ou mudassem o curso de sua marcha, ao final de um dia e meio de cavalgada Ian chegara na entrada da temida Floresta Negra, agora avançando com cuidado por aquele local estreito, escuro, de aspecto horripilante, sob um silêncio absoluto,entre árvores e vegetação tão densas que escondiam a luz do sol, levaria menos de meio dia para alcançar a clareira no centro da floresta e finalmente resgatar a dona de sua alma, porém, cansado pelo longo caminho, pela feridas que reabriram, as forças de Ian extinguiam-se, foi quando, para sua infelicidade, o nobre corcel que lhe servia de montaria assustou-se com algo nas brumas daquela floresta e refugou uma, duas vezes até que o cavaleiro o acalmasse e continuassem o seu caminho, mais a frente novo refugo, só que dessa vez associado a um pavor enorme, uma empinada violenta conjuta a um certo topor que alcançava a mente do herói em face da viagem, impediu que Ian Knight continuasse em sua busca levando ao solo com tal força que o deixou desacordado.

Passaram-se horas infindáveis, onde sob o aparente descanso do rapaz, pesadelos sobre o seu passado e futuro o atormentavam, em grande parte graças a febre que se alojava como resultado daquela empreitada arriscada e da perda de sangue pelos ferimentos originais, por mais que em seus pensamentos ele tentasse despertar seu corpo não respondia e se alguém por perto houvesse, perceberia a agitação incessante de seus olhos sob as pálpebras cerradas, e com certeza se padeceria de sua situação se soubesse que fantasmas sussurravam em seus ouvidos maldições e ameaças cheias de ódio e rancor, que atiçavam contra ele em sua imaginação hordas de inimigos caídos, rasgando sua carne, tirando -lhe sua alma e fazendo com que seu corpo real, em terra, apertasse firmemnte o cabo de sua espada, como que pede forças a um velho amigo ou amparo a um irmão.

Após um dia inteiro onde seu cérebro tentou despertá-lo sem sucesso e tudo apontava para uma vitória de seu próprio inconsciente e de seu temor em ter falhado, não consigo, mas com quem dele tudo esperava, Ian Knight despertou, tendo em sua fronte um coelho que labia suas feridas e causava uma leve coceira sob o nariz, que fora o motivo de seu súbito abrir de olhos. Mesmo agradecido pelo favor que o pequeno animal lhe fizera, o cavaleiro precisava recuperar as forças e para isso necessitava de alimento, o que foi fornecido pela morte do serzinho que o acordara sem medo ou motivo.
Agora desprovido de sua montaria, porém com as forças refeitas e novas bandagens substituindo as antigas, o homem conhecido como Demônio Branco continuaria sua jornada, foi com esse ímpeto que ele continuo a adentrar a mata, até que ao longe, o brilho de uma fogueira e o som de vozes chamaram sua atenção, dirigindo-se a local sorrateiramente Knight constatou que se tratava de um acampamento cigano, já tinha cruzado com esse povo cujo o lema era: "O Céu é meu teto; a Terra é minha pátria e a Liberdade é minha religião", era um povo alegre, simpático, que nunca lhe tinham causado problemas, pensava que ali poderia até conseguir água, um pouco mais de comida e descanso para finalmente trazer Faith de volta.

Enquanto se aproximava do acampamento Ian começava a identificar as silhuetas que a luz da fogueira iluminava, é quando entre tantas faces estranhas, sentado no lado oposto ao qual ele estava, ele distinguiu as feições de Michael MacCullogh. Tomado por um ódio incontrolável e por uma ansiedade tamanha, ele desembainhou sua espada, avançado como um louco por dentro do acampamento, derrubando qualquer um que estivesse em seu caminho, cortando por dentro da fogueira e atacando sem hesitar. Alertado pelo grito e barulho que aquele verdadeiro demônio causava, Michael conseguiu sacar sua espada a tempo de aparar o primeiro golpe, mas a força tinha sido tanta que ele se desquilibrou e Knight atacava com uma fúria inenarrável, impedindo que seu adversário contra-atacasse ou ao menos se equilibrasse melhor, com mais dois ou três golpes MacCullogh estava desarmado, a espera do golpe final que o Demônio preparava. Quando Ian Knight ergueu sua espada, pronto a partir um homem que o odiava e tinha feito ele retornar ao inferno que era sua vida passada, porém quando a lâmina estava a pouco centímetros daquele inimigo, uma flecha atravessou o ombro direito do Demônio Branco, que virou-se para trás com chamas nos olhos e deparou-se com quem empunhava o arco...Faith.

Conclui na próxima semana.

(Faith, foi originalmente postado no endereço antigo deste blog, que por motivos de força maior precisou ter seu link mudado, onde ainda pode-se ler alguns textos antigos.
Por Trás da Insofismável Psiquê Humana
)

terça-feira, outubro 03, 2006

Faith

Retirado do diário de Ian Knight.
Era só mais um baile, as mesmas pessoas entediantes de sempre, a mesma aristocracia, os narizes empinados, as mulheres com seus vestidos que alimentaria dezenas de famílias, os homens reunidos em rodas contando suas histórias maçantes, aquilo tudo me enfastiava, entornava uma taça de vinho atrás da outra, só a ebriedade evitaria que eu saísse de lá sem arrebentar com a cara de um duque ou de algum senhor de grandes poses, quando já tentava me desvencilhar de continuar naquele ambiente, onde me encontrava por pura obrigação, foi quando adentrando o salão uma verdadeira visão do paraíso, anjo ruivo, de olhos tão verdes quanto a esmeralda que repousava sobre seu colo.

Hipnotizado por aquela beleza sem comparação e impingido pelo vinho até ali sorvido fui em direção aquele ser maravilhoso, estava tomando de tamanha fascinação que derrubei durante meu avanço diversos prováveis adversários pela sua atenção, sem que desse tempo de qualquer reação tomei uma de suas mão e envolvi sua cintura com meu braço e nos coloquei a deslizar pelo salão acompanhando a música que tocava, seu perfume era suave como flores do campo e seu nome combinava perfeitamente com aquela cândida figura, se chamava Faith, pois daquele momento em diante nunca mais me separei daquela mulher, nos casamos um mês depois e passamos os dois anos mais felizes de minha vida juntos, foi quando minha vida anterior encontrou a nova.

Durante muitos anos, fui conhecido como o Demônio Branco, matei muitas pessoas com minha espada, tanto em nome de meu senhor, como também por causa de meu temperamento explosivo, quando conheci Faith fazia apenas dois mesesque eu tinha largado aquela vida, me rebelei contra meu senhor quando este mandou que executasse uma viúva e seus três filhos, apenas porque ela recusou-se a deitar com ele, oras um homem como ele poderia ter a mulher que quisesse não era motivo para tirar a vida de alguém, ainda mais de um bebê, como me recusara a realizar tal tarefa ele achou que eu tinha perdido a fibra, que não seria cpaaz de brandir minha espada e tentou por si só executar a pena a que me tinha condenado; à morte, ledo engano, com apenas um golpe separei sua cabeça de seu corpo e parti sem olhar para trás.

Agora, tanto tempo depois, aquelas lembranças me assombram, em especial por na porta de minha casa estar marcado com fogo o brasão daquele a quem um dia servi, entro na casa com o coração na mão, chamo por Faith e não obtenho resposta, vasculho a casa e os arredores e nada de minha amada, o desespero tomava conta do meu ser, foi quando em minha direção um cavalo se aproximara, o cavaleiro apeou, ele era enorme, na mão esquerda trazia um machado:

- Demônio, ou devo chamá-lo de Ian, trago um recado de Michael MacCullogh para você.

MacCullogh era o nome daquele a quem servi, Michael era seu filho mais velho, no dia que matei seu pai ele se encontrava em outro canto do país, agora provavelmente me achou, após anos de busca por vingança.

- Se quiser ver sua mulher de novo deve ir a clareira da Floresta Negra, mas infelizmente você nunca sairá daqui vivo, hahahahahaha. - Enquanto gargalhava, aquele gigante ergueu o machado e avançava com uma velocidade incrível, para o seu tamanho, em minha direção, o longo tempo de inatividade em batalhas me afetou me esquivei com dificuldades do primeiro golpe que com certeza separaria meu corpo em duas metades, antes que ele pudesse voltar a carga corri para dentro da casa em busca de minha velha aliada, atrás de mim o machado derubava portas e movéis com golpes rápidos, devido a seu tamanho avantajado meu perseguidor se atrapalhou dentro da pequena moradia, me dando tempo de resgatar minha espada de seu local de repouso, agora novamente reunidos eu poderia me defender e resgatar minha esposa.

Infelizmente a força de meu adversário era descomunal, a cada golpe aparado pela espada, meus braços pesavam mais e fora sua força, sua técnica não me deixava uma abertura que fosse, já começava a acreditar que falharia com Faith quando o acaso jogou a meu favor, graças a chuva do dia anterior ainda havia barro nas imediações que fez que meu adversário escorregasse e seu golpe apenas arranhase minha testa, aproveitando-me do que me fora dado pelos santos, com um golpe rápido separeio de sua arma, assim como de seu braço, para logo em seguida separa-lo de sua vida.

Agora só me restava ir a clareira, porém aquela batalha exaurira minha forças, tinha feridas abertas de esquivas pouco perfeitas e o ferimento sobre os olhos não me permitia enxergar , porém meu coração chamava por Faith e era minha obrigação ir em seu socorro.

Continua na próxima semana.