Quinta-feira, Agosto 05, 2010

Amores, Correspondidos e Não Correspondidos. - Republicação

Alguém já disse que o amor é brega, bem é essa característica que faz com que ele seja tão procurado, cantado, escrito e maldito. É impossível escolher quem a gente ama, amamos pessoas que não nos amam, que não sabem da nossa existência, que tem mais defeitos que qualidades, que parecem ser boas demais para serem reais, que nos amam, enfim amamos de diversas formas e expressamos esse amor de formas ainda mais variadas.

Você pode demonstrar o seu amor por alguém com palavras cochichadas no ouvido, com músicas, poemas, com bandas ou fanfarras invadindo casas ou escritórios, você pode mandar um bilhetinho, uma carta, um e-mail, pendurar uma faixa na rua, pichar um muro, pagar uma mensagem escrita com fumaças no céu, não interessa a forma para quem não está vivendo aquele clima tudo isso é brega, menos para quem mais interessa: você e quem te ama.

Você pode amar alguém sem ter coragem de falar isso pra ela, por pura timidez ou medo, você pode amar a curta ou longa distância, não importa, desde que você ame, certo? Errado, por favor, não deixe a oportunidade passar, diga, para quem causa aquela alegria sem fim toda vez que você pensa nela, com todas as letras: “EU TE AMO, não consigo mais imaginar minha vida sem você, hoje tudo que posso lhe oferecer sou eu, pois tudo de que sou dono é deste corpo, meu coração e alma já são e serão seus a muitos séculos”.

Tudo bem, você pode receber um tapa, uma risada, indiferença, afinal ninguém ama da mesma maneira e nem sempre os amores são correspondidos, você vai se amaldiçoar por horas sem fim, vai xingar esse texto, mas tenha em mente uma coisa, você conseguiu, teve coragem de abrir o seu peito, de provar que o amor existe, de se mostrar humano e hoje em dia os humanos e o amor fazem falta no mundo.

Veja o outro lado também, a pessoa pra quem você disse tudo isso, pode olhar nos seus olhos, sorrir e dizer que estava esperando quando você tomaria coragem de falar, que ele ou ela também tinha dúvidas e medos de que talvez não fosse correspondido(a), ela pode pegar as suas mãos, molhadas de nervoso, e entrelaçar com as dela, pode te abraçar, te beijar e dizer eu também te amo.

Quarta-feira, Agosto 04, 2010

Uma cidade com pressa - Republicação

Eu moro em São Paulo desde que nasci, nisso se vão 28 anos e pra ser sincero eu odeio essa cidade, cada vez mais, a cada dia que passa, não adianta me dizer que é uma cidade rica, cheia de cinemas, parques, teatro, estádios de futebol e etc.

O cinema é caro, o teatro mais ainda, os parques não me interessam mesmo e os estádios de futebol menos ainda, o trânsito nessa cidade é insuportável você não pode sair em horário nenhum que após andar meio minuto já ta parado, outra se três pessoas cuspirem ao mesmo tempo na rua causa uma enchente de tamanho desproporcional e um caos absurdo.

Todo mundo nessa cidade tem pressa, tem pressa pra dormir, pra acordar, pressa pra ir trabalhar, pressa pra chegar, pra sair, pressa pra se divertir, aqui as pessoas tem pressa pra trepar, pra gozar, pra amar, pra comer, essa maldita cidade tem pressa até pra ter pressa, você não consegue ficar 15 segundos parado sem que alguém te apresse, buzine, mande sair da frente ou pergunte porque você ta ali sem fazer nada, que não pode parar e ficar olhando a paisagem pela janela do escritório.

O paulistano é gentil, aceita todas as nacionalidades e naturalidades, desde que eles não atrapalhem o seu dia-a-dia, as pessoas tem que se encaixar no ritmo da cidade, se não conseguir andar sempre a 100/hora é melhor ir embora, não adianta argumentar que está a 99,8/hora, tem que ser de cem pra cima de preferência.

A cidade é enorme consegue agrupar no mesmo bairro as maiores diferenças sociais e culturais, só que essa pressa toda faz com que cada um esteja preocupado com sua própria vida, ninguém quer saber se o vizinho é isso ou aquilo, se ele é um músico ou um doceiro de mão cheia, quer sim que ele não se meta na sua vida, que não incomode os seus hábitos e que de forma alguma atrapalhe o seu ir e vir com pressa.

Quem mora aqui tem tanta pressa que não pensa no que faz durante as eleições e depois cobra ainda mais rápido, soluções para um dia-a-dia de problemas que se arrastam por décadas, elegem um vereador que nunca morou aqui a não ser nos dois últimos anos antes da eleição pelo simples fato de ele ter sido um cantor famoso e pela sua fama de polêmico, elegem um campeão olímpico que viveu toda sua vida em Santos e não vou discutir se eles se saíram bem ou não, mas sim que logo depois disso o povo da cidade reclama que os vereadores não conhecem a cidade e como ela funciona, não conhecem sua alma.

Muita gente vem pra cá atrás dos seus sonhos de riqueza e melhora de vida, a maioria iludida por uma imagem antiga de que na cidade que não pára tudo vai ser melhor e quando aqui chegam são obrigados a encarar uma realidade cada vez mais dura e cruel; São Paulo pára, não de se movimentar, correr e trabalhar, mas parou de crescer, de se preocupar com o bem-estar de quem aqui mora, parou também de ter uma alma, para ter uma CPU, um HD, São Paulo parou de ser humana para ser uma máquina e é por isso que eu a odeio cada dia um pouco mais, afinal ninguém quer se relacionar com uma máquina fria, mas sim com um ser de alma e calor.

Pode ser que eu esteja muito mau-humorado, que esteja virando um jovem velho ranzinza, pode ser, mas hoje eu queria simplesmente poder parar, sentar na sorveteria e ver o dia correr devagar sem pressa, sem culpa e sem tristeza.

Terça-feira, Agosto 03, 2010

Um pacote de jujubas - republicação

Quando inventaram de cada um de nós escrever para esse blog, eu fui contra, falei que não tinha nada para escrever, que queria ficar quieto no meu cantinho, assistindo minha tevê, balançando na minha rede, tomando minha groselha sossegado, mas não, ficaram insistindo dizendo que eu não podia fugir, então muito a contra-gosto aceitei, só que não tinha idéia do que escrever, porém ontem achei que seria de bom tom contar como conheci a pessoa que me deixa feliz desde o dia que nos encontramos.

Esse encontro aconteceu há uns 30 nos ou mais, eu tinha acabado de me mudar para um apartamento, pela primeira vez ia morar sozinho, na verdade já estava morando sozinho à 15 dias e já tinha feito todas aquelas coisas que eram impossíveis numa casa com muita gente, tinha pedido pizza a semana toda, visto filme na sala até de madrugada, saído do banho pelado e molhando tudo pq esqueci a toalha, mas aquela era minha primeira compra do mês eu não tinha nada mais na geladeira a não ser uma soda 2 litros e 1/3 de pizza baiana de dois dias atrás.

Resolvi então ir ao supermercado e comprar algo mais além de refrigerante, quando cheguei no caixa meu carrinho parecia compra de festa infantil, chocolates, danones, dezenas de pacotes de bolachas recheadas, sucos, groselha, refrigerantes, 4 latas de sorvete, um pacote de arroz, 4 pacotes de macarrão, um queijo provolone, um pacote de pão de forma e um saco de um quilo de jujubas, aliás jujubas são aquelas balinhas coloridas, com formato que lembram feijões e não aquela com açúcar cristal em cima, isso são balas de goma, bem voltando as compra comecei a retirar as coisas do carrinho e fui colocando na esteira, as jujubas iriam por último porque eu ia comer algumas já ali saindo do supermercado, pois qual não é minha surpresa quando vou pegar o pacote e ele simplesmente sumiu.

Não acredito que perdi um pacote daquele tamanho de jujubas, será que eu peguei mesmo, ou só imaginei, não, peguei o pacote sim, me lembro que pensei em comer algumas com o sorvete. - Era o que eu pensava, enquanto olhava para o fundo vazio do carrinho, quando levantei os olhos reparei no pacote sendo seguro por uma mão e pra meu espanto uma outra mão se afundava dentro dele.

- Ei, essas jujubas são minhas!

- Hã, como? Não, são minhas. - Foi o que me respondeu uma garota morena, de olhar tranquilo e a boca cheia das minhas jujubas.

- Como suas, você pegou elas do meu carrinho.

- Peguei nada, você tá louco, acha que eu vou roubar jujubas, essas são minhas, acabei de comprar e tirei do meu carrinho enquanto esperava você terminar de passar as suas compras.

-Tirou do seu carrinho?E qual é o seu?. - Eu já estava perdendo a paciência, onde já se viu me chamar de louco e ainda roubar minhas jujubas, se não fosse mulher já tinha lhe dado um tapa no pé do ouvido.

- É esse aqui. - Disse apontando pra um carrinho com poucas compras praticamente colado no meu.

- Tem certeza?

- Claro que tenho. - Já começava a formar uma pequena multidão para acompanhar aquela briga e tudo por um saco de jujubas, foi quando vi uma coisa colorida no carrinho da garota.

- Bem, se você tem certeza, acho que aquele pacote de jujubas logo embaixo desse de absorventes é meu então? - E apontei para o pacote que repousava tranquilo no fundo do carrinho dela. Foi o suficiente para aquela moça tão branquinha, ficar mais vermelha que um tomate, rapidamente ela pegou o pacote fechado e me entregou pedindo mil desculpas, e enquanto ela falava ia ficando mais vermelha e segurando aquele pacote cheio de jujubas vermelhas perto do rosto, não resisti e comecei a rir, dizendo que não tinha problema nenhum e ela acabou relaxando e rindo junto.

Acabamos conversando um pouco enquanto ela terminava de passar suas compras e a convidei para tomar um suco nas lanchonetes que tinha ali dentro do supermercado mesmo, ficamos ali batendo papo por muito tempo, descobrimos que tinhamos muitas coisas em comum, ambos estavam morando sozinhos pela primeira vez, gostavamos de desenhos antigos, de comer sorvete direto do pote e de jujubas é claro, marcamos algumas idas ao cinema e seis ou sete meses depois descobrimos que morar sozinho era chato e juntamos os nossos dois baleiros sob o mesmo teto.

Até hoje, quando um de nós está bravo por algum motivo o outro aparece com um pacote de jujubas e põe perto do rosto é a senha para que comecemos a rir e deixemos os problemas para outra hora.

(Sêo Vellozo, hoje é um Vô amoroso, que passa o seu tempo entre jogos de malha e assistir desenhos com os netos, e que de madrugada assite filmes acompanhado de sua esposa e de um pacote de jujubas, estas proibidas pelo médico e pelos filhos por causa da diabetes)

Segunda-feira, Agosto 02, 2010

Desculpas Sinceras - republicação

Pôxa, fiquei um tempão esperando atrás da cortina pra te dar um susto e você não chegou antes de eu ir pra cama, queria falar com você, dizer que sinto muito, a mãe disse que não, mas eu acho que você ainda tá bravo porque eu briguei e disse que queria que você morresse, mas não foi sério, eu juro, poxa, mas você tinha que brigar só porque eu não fiz a lição toda, eu odeio fazer lição de casa, quero ficar vendo desenho, aquilo é muito chato, eu já sei tudo aquilo pra que ficar repetindo.

Também não precisava me deixar aquie e não me levar junto pra ver o jogo de futebol de salão do Benfica, o senhor sabe que eu me atrapalho com essa história de calça jeans, briga com a mãe que me faz sair vestido de homenzinho, por mim ficava de bermuda ou calça de moletom, não deu tempo de chegar no banheiro, acabei fazendo xixi nas calças, mas precisava me dar bronca na frente dos outros.

Então, me desculpa vai, eu prometo me comportar, amanhã quando o senhor chegar do trabalho, eu vou estar com a lição feita e vou ficar atrás da cortina pra dar um susto como todo dia, vê se chega cedo e se for trazer chocolate eu quero um toblerone como sempre, esse diplomata que você come não é bom.

Pai, não esquece do meu gibi do homem-aranha e de que eu amo o senhor, mesmo sendo o rebelde sem causa que minhas primas falam.

Beijos do seu filho,

Gui.

(Gui, gosta de desenhos, gibis e toblerone, também sabia que seu pai não se assustava com o "buuu" vindo detrás da cortina da sala, mas gostaria de poder ter feito por mais tempo.)